O Discurso Político

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A relação entre os que governam e seus governados sempre foi e continua sendo
intermediada pelos meios de comunicação. Em tempos antigos, os reis e os chefes
de estado chegavam ao poder pelos discursos que proferiam em praça pública.
Com as mudanças sociais e tecnológicas, o discurso político nos tempos atuais vem
sendo feito através dos jornais e dos meios de comunicação de massa.

O discurso é um meio de expor problemas, oferecer sugestões e conquistar o apoio
ou a contribuição da população para as ações a serem tomadas em benefício de
todos. Em geral, o discurso político adota a linguagem verbal. Esta, sem dúvida, é
fundamental mas não exclui outras vias que, por vezes, são mais eficientes – como
é o caso da comunicação gestual e a comunicação através de fatos.

Em geral, a população registra muito pouco daquilo que os políticos transmitem
em seus discursos. Palavras, palavras – já diziam os antigos – o vento as leva. Os
atos e os fatos são mais perceptíveis e mais duradouros. Entre estes, os fatos que
podem sem ser comprovados fora do campo do discurso são os que, em definitivo,
acabam gerando maior credibilidade.

O discurso político sempre sofreu o efeito da dúvida e da perda de credibilidade. A
demagogia – que pode ser definida como a mentira falada em público – tende a ser
facilmente percebida, atingindo por vezes a credibilidade de todos os discursos que
tiverem caráter político. Em geral, os políticos carecem de credibilidade, por mais
necessários que sejam o seu trabalho e os seus discursos.

A falta de credibilidade decorre também da falta de correspondência entre as
palavras e os fatos. As palavras são frequentemente usadas pelos políticos para
oferecer promessas ou justificar imperfeições na solução dos problemas. É em tais
casos que sua linguagem verbal tende a ser colocada sob suspeita. Palavras não
sustentadas por fatos geram dúvidas, descrédito e até mesmo suspeita.

Uma das formas de menor credibilidade do discurso político é a propaganda
pessoal. Outra é o debate nos períodos pré-eleitorais. Em ambos os casos, as
palavras assumem um papel dominante mas nem sempre servem para convencer ou
conquistar confiabilidade.

Já os discursos acompanhados de fatos ganham enorme importância na política e
até mesmo na história. Um dos mais antigos exemplos destes discursos históricos
foi deixado por Demóstenes, com suas advertências aos atenienses a respeito do
perigo representado por Felipe da Macedônia. Seus argumentos, por mais incisivos
que fossem, não foram ouvidos e Atenas foi dominada pelas armas do invasor.
Na história, há também a importância de Cícero, com seus discursos contundentes
contra aqueles que considerava inimigos públicos de sua Roma. No Brasil, em
tempos mais recentes, os discursos do jornalista Carlos Lacerda, pela televisão,
que em 1954 levaram Getulio Vargas ao suicídio e os discursos de Juscelino
Kubitschek também pela televisão o levaram à vitória nas eleições de 1955.

Em política o melhor discurso é aquele que é confirmado ou sucedido pelos fatos
ou acompanhado pela ação. As palavras apenas não bastam. É preciso que a
realidade as confirme.

4 comentários para “O Discurso Político”

  1. endy disse:

    Olá, você pode me aconcelhar para onde devo direcionar meu TCC, pois quero fazer em análise do discurso político?
    Que livros ler?
    Será que posso direcionar essa análise do discurso político para trabalhar dentro da sala de aula?

    • Dr. Carlos Matheus disse:

      Olá Endy,

      Recomendo “A linguagem da política” de Harold Lasswell” da Editora Universidade de Brasilia

      Espero que te ajude.

      Atenciosamente

      Carlos Matheus

  2. albino disse:

    dr. matheus, fiquei impressionado pela forma como a borda o conceito do discurso politico e uma abordagem para mim de todo completo. nao sendo eu filoso mas sim linguista sou pela forca de circunstancia obrigado a embarcar tambem na barca da politica por uma razao tao simples quanto esta: pertenco a um pais emergente e saido de um conflito de 16 anos. passam sencivelmente vinte anos que o troar das armas literalmente havia cessado, viviamos uma paz relativa! qual espanto nao foi de todo mundo quando a 3 e4 deste mes recebemos uma noticia de ataque a uma delegacia da policia pelas forcas do lider oposicionista por sinal signatario do acordo que pos fim ao conflito a que me referi que durou 16 ininturuptos. na minha fraca analise cheguei a conclusao de a tentativa de se voltar as armas podera ser resultado do fracasso do lider oposicionista de se impor na sena ploitica nacional, desde noventa e quatro que tem sido um ilustre perdidor nas corridas eleitorais. perante tal situacao, tem sido recorrente aos oposicionistas pronunciar discurso com achas de fogo infelismente. por isto e por outas razoes, gostaria de saber como e que o discurso politico pode ter influencia na convivencia democratica de um pais.

    • Dr. Carlos Matheus disse:

      Prezado Albino
      O discurso político, tal como eu entendo, é um meio de comunicação pelo qual alguém se apresenta para interpretar sentimentos, aspirações ou expectativas de uma população, como também para oferecer soluções, apontar direções ou oferecer projetos que correspondam a determinado contexto da vida pública.
      Como não conheço o quadro político a que se refere, não posso lhe oferecer mais do que esta formulação genérica na qual, evidentemente, política e linguagem estão presentes.
      Grato pelo comentário.

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